
Não podemos nem devemos continuar assim. O projecto da Europa encontra-se num impasse e está a atravessar uma crise existencial. Mesmo antes da crise a orientação já estava errada: a instituição do Euro baseou-se apenas e unilateralmente na estabilidade monetária com critérios errados sobre a dívida e o deficit, com uma coordenação política e económica igualmente inadequada e uma negligência grave da coesão social. A crise foi impulsionada por uma política de desregulação neoliberal e uma ganância sem escrúpulos por parte da elite financeira, especulando contra os países em crise, pressionando os respectivos governos a obedecer aos ditames dos mercados financeiros. Com o modelo neoliberal de subordinação aos mercados financeiros, a União Europeia agrava a crise em vez de proporcionar uma saída da mesma.
Em vez de identificar os erros políticos e a ganância financeira como causas da crise, reinterpretam-se os deficits governamentais como uma crise de dívida dos estados (sociais) para justificar políticas desastrosas. Sob as directrizes europeias cortam-se radicalmente os gastos públicos, assim como os rendimentos sociais e do trabalho, e obriga-se os assalariados, desempregados e pensionistas a pagar o preço do resgate do sector bancário.
Especificamente, a regulação económica ("Economic Governance") e o pacto fiscal imposto pelo governo alemão, seguem uma agenda que ameaça a democracia social dos estados membros de forma irremediável.
Esta política é irresponsável e tem de ser abandonada imediatamente:
No caso da Grécia, confluem as consequências catastróficas destas políticas. Neste caso, a economia foi obrigada a entrar em recessão enquanto grande parte da sociedade cai no limiar da pobreza. Há cada vez mais pessoas que viram as costas à Europa com uma sensação de amargura, e a democracia é sufocada pelas mãos da «Troika».
Estes desenvolvimentos na Grécia têm de ser travados e não se podem repetir – de forma alguma – noutros países. A Europa tem de se lançar num novo caminho para o desenvolvimento. Se quisermos um futuro como um projecto de democracia e solidariedade, as orientações terão de ser ajustadas em moldes completamente diferentes. A Alemanha, sendo o estado membro económica e politicamente mais poderoso, tem uma responsabilidade acrescida. Exigimos que a política alemã deixe de ser o agente de uma política destrutiva na crise e que se torne no motor das mudanças de orientação há muito em falta.
As seguintes medidas económicas e políticas são urgentes:
Os sindicatos e as políticas na Alemanha também têm de agir. Os aumentos salariais devem ser superiores aos de anos anteriores, de forma a por fim à contínua redistribuição de rendimentos a favor dos lucros, estimulando assim o mercado interno em benefício de um desenvolvimento mais equilibrado dentro da União Europeia. É igualmente indispensável regular de forma exaustiva o mercado laboral e fazer recuar os segmentos de baixos salários e de condições de trabalho precárias.
No entanto, estas medidas não são suficientes. Uma verdadeira alteração de percurso tem como pré-requisito um conjunto de mudanças fundamentais:
Apelamos a um movimento Europeu de cidadania social que vise uma alteração radical de políticas e que actue contra as actuais e desastrosas políticas anti-crise. Um primeiro passo nesta direcção terá de ser a rejeição do pacto fiscal na sua forma actual, exigindo novas negociações do enquadramento político-fiscal. Exigimos aos principais responsáveis políticos, aos sindicatos e à sociedade civil:
O caminho da Europa para a sua ruína tem de ser travado – através de uma maior razoabilidade económica, justiça social e coragem democrática. A Europa necessita de um debate público sobre um novo futuro democrático e solidário.